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77 anos da DUDH. 10 de dezembro de 1948. Meras perguntas retóricas

 Em 10 de dezembro de 1948, a ONU promulgou a DUDH (Declaração Universal dos Direitos Humanos).  É um documento importante para a humanidade, elaborado após a segunda grande guerra mundial. Ao contrário do que muitos pensam, a DUDH tem clara influência cristã, embora seja obviamente um documento laico e neutro em matéria religiosa, todavia, é importante dizer que o documento contempla a liberdade de crença. Quanto a liberdades civis em geral, hoje, 77 anos depois, podemos afirmar que no Brasil, a DUDH tem eficácia????? Temos liberdade de opinião no Brasil? E de crença? E de educação da prole? Há liberdade política no Brasil???  E quanto aos demais Estados-Membros signatários, 77 anos depois, o mundo está cumprindo o documento? Há respeito ao ser humano no mundo?  Poderia se fazer aqui uma longa discussão sobre efetividade dos tratados internacionais, ou ainda, elucubrar sobre jusnaturalismo e juspositivismo, ou mais ainda, dissertar sobre efetividade e execução de no...

Por mais terras que eu percorra. Lewis e devaneios teológicos.

Se eu falar para você, que você sente uma insatisfação com este mundo e que sente saudade de um lugar que nunca pisou, você me acharia louco, não é, caro leitor? Mas você sente. Talvez ainda não tenha percebido, mas sente. O título é provocativo. Vou fazer um paralelo com a música dos soldados brasileiros, expedicionários, que foram lutar na segunda guerra mundial. (Clique aqui )  "Por mais terras que eu percorra não permita Deus que eu morra sem que eu volte para lá" é uma poesia feita para os "pracinhas" que foram na segunda guerra lutar contra os nazistas.  Os nobres soldados com certeza sentiam saudade da sua terra natal. Lutaram nas batalhas de "Montese" e "Monte Castelo" e infelizmente poucos voltaram. Em outros textos, talvez eu foque mais nos detalhes do envio dos nossos expedicionários para a guerra, mas por ora, voltando para a saudade de um lugar que ainda não pisamos. Sentir saudade de onde nasceu e saudade do nosso Brasil, mesmo co...

Comentários breves sobre a obra: A morte de Ivan Ilitch de Liev Tolstoi.

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Imagem retirada das redes sociais. Resolvi adentrar nesta modinha dos canais de youtube sobre a literatura russa e resolvi iniciá-la, com o clássico, A morte de Ivan Ilitch, de Leon Tolstoi. Já adianto aos amigos que, sim, há um alerta de spoiller e, quem não quiser, pule este texto. O livro me impactou não pela morte do personagem, mas sobre como a forma que ele estava vivendo antes da doença. O livro  traz reflexões sobre a aceitabilidade de nossa finitude; sobre falsidade nos relacionamentos sociais, principalmente, porque a maioria dos que estavam por perto pouco se importavam com a doença do personagem principal, exceto, o seu empregado, Gerassim, em que Ivan se sentia aliviado toda vez em que era cuidado por seu empregado, o que o fez facultativamente, pois assim esperava ser tratado quando estivesse a beira da morte, trazendo também uma bela reflexão sobre cuidados paliativos e sobre a seriedade, empatia e sensibilidade, inclusive, dos profissionais da saúde. ...

Sobre o julgamento da eventual inconstitucionalidade da Resolução da política antimanicomial.

Está em julgamento, no Supremo Tribunal Federal, a eventual (in)constitucionalidade da resolução de nº 487/2023, do CNJ. A Resolução fora questionada via ADI e ADPF, pela Associação Brasileira de Psiquiatria, Associação Nacional dos Membros do Ministério Público, além dos partidos políticos, Podemos, e União brasil. O CNJ ,na prática, ordenou a forma como os juízes devem julgar na questão dos hospitais psiquiátricos e ordena que o tratamento manicomial seja a exceção e não a regra. Os principais argumentos são o vício de competência, já que a legislação de normas de Direito Penal compete privativamente à União Federal e que a Resolução supostamente teria invadido tal competência, e no mérito, se questiona que tal mudança traria um caos na sociedade, já que muitos pacientes com nível de insanidade mental alto poderiam voltar a sociedade. O tema é polêmico e independentemente do resultado do julgado, eu tendo a concordar com os peticionantes e ainda digo mais, o Direito brasileiro não es...

Breves dicas jurídicas para grandes empresários. Parte 2

Se você é um grande empresário. Seguem algumas dicas (apenas exemplificativas, posto que ainda haverão outras) jurídicas de quem já se acostumou a litigar contra e a favor de empresas: 1- Crie um canal de comunicação sigiloso entre colaboradores e que este canal somente a diretoria e alto escalão e os proprietários tenha acesso. Canal de comunicação e apuração sigilosos ajuda contra a prática de assédios, ajuda a resguardar a empresa, cria provas favoráveis para a empresa. É algo aconselhável e totalmente válido perante a lei. 2- Não permita cartão de ponto "britânico". O cartão de ponto "britânico" precisou ser sumulado no TST de tanto recurso que chegou por lá. É o famoso cartão de ponto com horários iguais e é claro que o mesmo NÃO é válido na justiça do trabalho. Esse erro banal infelizmente já fora cometido por grandes empresas, incluindo multinacionais. 3- Elabore um código de conduta ou de ética e similares. Ter um código de ética é algo que toda empresa que ...

Sobre a loucura de empreender no Brasil! O que eu digo amiúde aos meus clientes empresários!

Geralmente, após uma audiência ou logo após uma reunião via google meet, eu escuto as mesmas perguntas de micro empresários, e até, as vezes, de empresários já renomados. Geralmente, as perguntas permeiam sobre os seguintes temas: Como empreender em um país tão problemático? Como se manter em um país com leis trabalhistas e tributárias tão pesadas? Como aguentar a pressão do negócio? Como aguentar as primeiras pancadas? Como aguentar aquele período (que varia a depender do ramo) em que o empreendimento, primeiro dar prejuízo, depois "se paga", para somente depois, dar lucro?   A resposta NÃO é tão simplista! Não posso dar uma de irresponsável aqui e fazer que nem alguns falsos " coaches " e dizer somente com um "persevere" ou um "vai dar certo", que em um passe de mágica, as coisas vão mudar. Tenho atendido ultimamente algumas empresas e percebo que a resposta vai depender em cada caso.  Há empreendedores que precisam de um consultor financeiro....

Sobre as medidas atípicas legais chanceladas pelo Judiciário. Como o credor pode buscar bens do devedor? Breves comentários.

O STF declarou a constitucionalidade do juiz deferir medidas atípicas para a execução de seus julgados, na ADI 5941 ( Clique aqui ) Em linhas gerais e sem "juridiquês", quais são as medidas atípicas e quando podem ser requeridas no processo?  São medidas além das medidas comuns e geralmente são requeridas na fase de cumprimento de sentença ou de execução. Podem ser deferidas na fase de conhecimento, mas é mais incomum. Geralmente, tem sido requerida nas ações de cobrança ou nas trabalhistas, ou ainda, em qualquer outra matéria que esteja na fase de execução. Em suma, quando uma parte ganha um processo. A sentença ou acórdão vira um título executivo que, se não pago, pode gerar o bloqueio bancário, do convênio sisbajud, o bloqueio renajud e outros bloqueios e convênios. Agora, atenção! O STF decidiu que as medidas atípicas só podem ser deferidas após contraditório e após o credor ter buscado todas as medidas comuns. Isto posto, além da CNH e passaporte, quais as outras medidas...