Ainda sobre o dia do advogado e sobre a perseguição ao colega "ostentação".

Entre os belos textos de Sobral Pinto, Rui Barbosa e outros tantos nomes nobres e entre os memes que se espalham nas redes sociais, o dia do advogado fora bastante comemorado agora no dia 11 de agosto, mas também deve ser lamentado.

Há muito o que se lamentar. Desvalorização da classe, morosidade da justiça, ausência de representatividade em órgãos públicos, órgãos e associações que deveriam nos representar e que, mais ainda nos aprisionam.

Recentemente, vi um caso de um colega que foi punido pela a OAB/MT porque postava ostentação (Clique Aqui e aqui).

Não que eu concorde com postar ostentação. Seria o tipo de marketing pessoal que eu jamais faria, pois acho superficial e até abjeto, todavia, este NÃO é o ponto.

O ponto em questão é um órgão, que é sustentado pela maioria dos advogados ativos do Brasil, ser autoritário desta forma.

Argumentou se na internet que a punição se justificaria porque o advogado teria participado de um clipe com um cantor, mas e daí? Qual o problema? Por que o órgão que deveria nos proteger possui uma legislação tão arcaica? Um advogado é obrigado a ser advogado por 24 horas? Ele não pode ter uma vida pessoal e, se quiser, extravasar?

Soube ainda que o corajoso colega irá enfrentar  a OAB e, sobretudo, requerer a inconstitucionalidade incidental desta norma, todavia, se algum legitimado quiser também peticionar no STF em sede de controle concentrado também é válido. É norma que merece ter sua inconstitucionalidade declarada o quanto antes.

O dia do advogado já passou, mas a famosa frase de Sobral Pinto nunca ecoou tão forte quanto agora: "Não é uma profissão para covardes".

O que temos que os nossos antepassados não têm? Mais tecnologia, tramitação virtual e várias facilidades que derivam dos avanços modernos, todavia, em compensação, enfrentamos o "inchaço" da categoria e várias outras dificuldades que, incluem, infelizmente, litigar contra o próprio órgão que deveria te proteger.

Moralmente eu, por motivos culturais e de criação, sou contra um advogado, aliás, sou contra qualquer pessoa postar ostentação.

 Também sou contra um advogado ir de paletó para a praia; sou contra um advogado ir de paletó para um baile funk e sou contra tantas outras situações, mas isto é meu crivo pessoal.

 São os clientes, somos nós e é a sociedade que tem que nos aplaudir ou nos repreender e não, infelizmente, o órgão que nós mantemos. Ainda há muito o que ser mudado.

 Eu poderia ainda falar de outras arbitrariedades e até de leniência com arbitrariedades, mas isto daria outro texto, aliás, daria um livro. Repito: Há pouco o que comemorar e há muito o que se mudar, porém continuemos firmes. 

Avante! Deixo aqui minha solidariedade ao colega de Mato Grosso.


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